terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sobre Surpresas

Sabe quando você beija alguém e isso é natural? Natural, no sentido de natureza nossa mesmo. É quando não tem muito pensamento, muita teoria, estratégia, raciocínio, ou quaisquer desses sentimentos que a gente pré-medita. É quando os corpos se atraem e a coisa acontece por si só, porque tem que acontecer, a natureza de cada corpo quer que assim seja. Então, você, sem controle algum, vai. Cede.

Sabe quando a gente beija alguém e só então percebe o que acontece de fato? Mas não consegue classificar também. Só pode é ser diferente de tudo aquilo que você já sentiu. O beijo é um encontro muito importante, muito especial. Nada acontece se o beijo não for bom, não desestabilizar o emocional, não fizer tremer as pernas, encharcar de suor o vestido. O beijo precisa ser inquietante, entontecedor, sem precisar ser lascivo. Ele é sensual e tranqüilo. Tão tranqüilo que te dá tempo de pensar na vida toda enquanto os lábios se tocam.

Sabe quando a gente beija alguém e sente que está num pé só? Por mais que você esteja acima do peso, o corpo fica leve porque ele te segura de um jeito e faz parecer que ele tem toda a força de vento e você é vulnerável feito uma folha, seca. Junto com o tempo, este toque consegue lhe ser tão doce e suave que as mãos correm seu corpo com uma delicadeza incrível e surpreendentemente voluptuosa.

Sabe quando a gente beija e não precisa de mais nada? Pois é. Aconteceu.
(Larissa Manoella)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Sobre o Sex Appeal

Porque, às vezes, a gente acorda cheio dele!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Sobre Inquietação, Tontura e Encanto

Após nove ou dez conhaques, acordei qual uma flor. Sem Engov, nem ataques. Nem senti tremor. Homem sempre me aparece, geralmente, bem me dou. Mas um meia boca desses me desconcertou. Tinindo estou, curtindo estou, criança chorando e sorrindo estou. Inquieta, tonta e encantada estou. 
Sem dormir, não tem dormir. O amor vem e me diz: não convém dormir. Inquieta, tonta e encantada estou. Me perdi, dominada, e daí?! Errei sim. Ele é uma piada. Piada sobre mim. Ele é o fim, e até o fim vou tê-lo, pra vê-lo, com fé no fim, inquieto, tonto, encantado também. Vi demais, vivi demais, mas hoje eu já adolesci demais. Inquieta, tonta e encantada estou. 
Niná-lo eu vou, no embalo eu vou, um dia na pele grudá-lo eu vou. Inquieta, tonta e encantada estou. Ao falar, ele sente travação, timidez, mas horizontalmente falando, ele é dez. Perplexa, enfim. Conexo, enfim. Com graças a Deus, muito sexo, enfim. Inquieta, tonta e encantada estou. 
Ele é um tolo, mas um tolo o seu charme, às vezes, tem. Em seus braços eu me enrolo, que nem um neném. Caso é aquela coisa louca, nem dormindo eu estou desde que esse meia boca me desconcertou.
Sensata, e fim. Constato, enfim, sua baixa estatura, de fato, enfim. Inquieta, tonta e encantada não mais. Doeu demais, rendeu demais. Você ganhou muito e perdeu demais. Inquieta, tonta e encantada, não mais.Tire o surto, dispéptico, mas viver já não dói. Tenho peito anti-séptico desde que você se foi.
Romance, finis. Sem chance, finis. Calor a invadir o meu colã, finis. Inquieta, tonta e encantada não mais...

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Sobre o Vício do Amor

Tudo que esse amor torto rendeu
Foi um problema pr’eu chamar de meu
Quero que você vá embora
De mim e do apartamento
Mas ouça agora
A pureza das palavras de dentro
E as verdades que estou dizendo
As doses acabaram com o que havia
De bonito e harmonia
E o que só sobraram marcas e dor
O que sou por fora
São tragos e goles amargos
Carícias numa pele anestesiada
Pela ausência de sentido,
Das tuas palavras vagas
E as declarações batidas
Desse amor-canção vendido
Pra comprar gramas dessa ilusão
E o amor não foi suficiente
Juramos cuidar tanto e ficou doente
Como reparar o dano
De um amor que entrou pelo cano
Como uma moeda rolando
Desce paredes adentro?
Só lhe resta fazer as malas
Seus sapatos, suas roupas.
Mas deixe os canudos, goles, tragos
Todas nossas noites loucas
Pra eu esquecer todos os ex-tragos.

Grace

Sobre Um Blues Chamado Azul

Entendam que eu estou bem
Eu tenho dias ruins,
(mas eles passam)
Eu tenho noites que vocês não vêem
(Elas acabam)
Mas o que eu canto vai além
Dessas cabeças pequenas, limitadas
Desses meus olhos molhados,
(Viciados)

Eu vivo de tempos em tempos
Vivo de suas migalhas,
(Meu alento)
Tive dias escuros,
Que hoje estão azuis
Como os olhos que trazem a luz

Tudo que procuro
Entendam: hoje estou bem
E se amanhã, eu não estiver
Já aprendi a me cuidar
Sei a garrafa que vou amar
Esperando a luz dos seus olhos
Pra me tirar
(Do fundo desse copo)

Eu vivo de tempos em tempos
Vivo de suas migalhas,
(Meu alento)
Tive dias escuros,
Que hoje estão azuis
Como os olhos que trazem a luz

Que transforma esse dia
Que mostram:
(A alegria está perto)
Nessa vida que me faz grão minúsculo
Numa tempestade no deserto.
O deserto azul do teu olhar incerto
O deserto azul do teu olhar que não quero.

Grace

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Sobre Música Minha | 1

Estou sem saída
Porque meu amor fugiu de você
E eu, sem perceber
Estava com a mão estendida
Esperando uma esmola,
Ou uma buzina pra atender.
Aquela canção na vitrola foi o que sobrou
Daquele amor que eu achava lindo,
Mas que bateu a porta rindo,
Foi embora distraído e nem percebeu
Que aquelas fotos na estante
São lembranças tão distantes
De uma história que não aconteceu
E pr’eu poder ir embora agora
Tenho que fechar a porta do armário
Que sustenta o velho calendário
Que não podemos mais seguir
E, antes que eu me esqueça,
E que a fumaça me suba à cabeça,
Me deixe repetir:
Se hoje sou o teu passado,
É que um dia fui presente que você não pôde abrir.
E, antes que eu me esqueça,
E que a fumaça me suba à cabeça,
Me deixe repetir:
Se hoje sou o teu passado,
É que um dia fui presente que você
Não soube,
Não quis,
E não pôde abrir!

Grace
(eis que surge mais uma...)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sobre Mudar

Estou perdida.
E tudo o que eu peciso é encontra a saída.
A saída literal: a porta, mas não posso mais.
Estou perdida em minha própria casa.
Mudei tudo de lugar.
Os dias que as pessoas passam sofrendo e chorando,
Passei de 'Maria', na faxina
Numa vã tentativa de tirar você daqui,
Desse quarto que lembra você,
Dessa sala onde você se senta pra me esperar...
Eu não podia mais respirar.
Sua ausência era a presença mais marcante em cada cômodo.
Até me fazia sufocar.
Precisei mudar tudo de lugar,
Mas agora não sei onde estou.
Quero encontrar a saída, que também é entrada.
Estou presa entre o passado e o futuro.
É aqui onde a vida acontece.
Quero saber o que fazer.
Quando olho no espelho, só o que reconheço é solidão e tédio.
Essas incertezas e esses olhos molhados.
Eu grito e dou risada, choro e berro.
O excesso me é mesmo fundamental.
Preciso morrer de te amar pra viver em qualquer lugar,
Que, por mais mudado que seja, se eu estiver lá, você vem comigo.